ANTISTHENES LOUREIRO

Antísthenes Loureiro nasceu na Cidade da Serra em 19 de junho de 1920, filho de Luiz Nascimento da Rosa Loureiro e Dª Clarice Ferreira da Conceição Loureiro, família tradicional da Serra. Essa pessoa pacífica e profunda conhecedora da música é trisneto paterno do sargento mor Luiz da Rosa Loureiro que, em 1835, construiu o antigo solar de três andares na praça da matriz – cidade da Serra – ES, cuja mansão serviu de hospedagem ao imperador D. Pedro II, quando visitou a Vila da Serra em 1860. No local, hoje, vê-se o Centro Social da Serra.

Serrano autêntico, Antísthenes Loureiro era, também, sobrinho-bisneto do major Antônio Pinto Loureiro fundador da primeira banda de música da Serra, criada em 1859, junto a Guarda Nacional, para recepcionar o imperador.

Antísthenes tivera seus primeiros passos na arte musical aos 17 anos, na antiga “Lyra Estrela do Norte” com o maestro Manoel Xavier, indo para o Exército em 1941, onde preparou-se nos cursos: teoria e solfejo; harmonia e instrumentação; canto orfeônico. Fora maestro da Banda do antigo 3º BC, hoje, 38º BI – Vila Velha – ES – Maestro da Banda de Música do 28° BC, em Aracaju – SE.

Fora para o Exército em plena Segunda Guerra Mundial, quando chegou naquela corporação logo entrou na banda de música como aprendiz. Depois de um ano passou a pronto, engajando-se na carreira militar, no posto de “Cabo”. Pois, sua vontade era tanta em seguir carreira e aperfeiçoar-se como músico que chegou a fazer uma promessa consigo mesmo: que, se fosse bem sucedido no seu propósito, quando entrasse para a reserva, voltaria à cidade da Serra para formar uma banda de música.

Antísthenes Loureiro foi maestro fundador da Banda Estrela dos Artistas de 01 de julho de 1967 a setembro de 1989, presidente dessa Sociedade Musical de julho de 1972 a maio de 1979 e de 12 de outubro de 1996 a 31 de janeiro de 2004, tendo falecido no Hospital Meridional – Cariacica – em 14/01/2008, sepultado no cemitério central da sede de sua cidade natal – a Serra.

Em 1945, quando já era cabo, após a morte do maestro Antônio Cícero, seu parente colateral, tomou conta da Recreio dos Artistas, mas dispunha de pouco tempo, somente nos finais de semana. Isso até 1955, quando foi transferido para Aracaju.

Ainda em 1955, antes de ir para Aracaju, quando era prefeito da Serra, um nobre cidadão serrano, Antísthenes juntamente com o vereador Naly da Encarnação Miranda, Dr. João Ferreira Castello e outros serranos ilustres, enganjou no movimento para formação de uma banda de música. Esse grupo adquiriu um instrumental completo em São Paulo. Tenha-se em conta que a compra do instrumental não fora feita com doação de verba pública. E sim, pelos protagonistas da ideia: Antísthenes e Naly da Encarnação Miranda, que angariaram fundos para tal empreitada com promoção de bailes e outros eventos sociais.

Esse serrano ilustre e abnegado, o saudoso Antísthenes Loureiro, conhecedor profundo da arte musical, dedicou seus primeiros dez anos na direção e regência da Banda Estrela dos Artistas sem nenhuma recompensa financeira. Somente, em 1977, foi prestigiado pelo finado vereador Dorian Benedito Nascimento que, junto ao prefeito da época, o agraciou como professor de música do município.

Membro da Academia de Letras e Artes da Serra (ALEAS), cadeira nº 06, patrono: Antônio Cícero Pereira Pinto.

OBRAS MUSICAIS

Dentre muitas, podemos destacar: “Alô Espírito Santo” – Dobrado – quando estava ainda em Aracaju – SE; “A Banda Está de Volta” – (Inicialmente dobrado sem nome para aprendiz) – 1968; “Paixão de Cristo” – marcha religiosa.

Com a ajuda de Naly da Encarnação Miranda, João Ferreira Castello e o então Prefeito da cidade, Edson Juracy Borges Miguel, que comprou um instrumental completo para colocar o trabalho em prática, Antisthenes conseguiu cumprir a sua promessa.

Mas, era preciso muita disposição e recursos financeiros. Para isso, Naly e Antisthenes angariaram fundos com promoção de bailes e outros eventos sociais. A sede dos ensaios era na Rua Major Pissara, nas proximidades onde atualmente está localizada a Igreja Assembleia de Deus.

Logo apareceu uma turma de jovens com vontade de tocar algum instrumento musical, alguns com pouca idade, mas muita sede de aprender e fazer parte desse projeto. Porém, a instabilidade no cenário político municipal havia alcançado proporções gigantescas, devido às divergências entre os que apoiavam Rômulo Castello e os que estavam do lado de Edson Juracy Borges Miguel.

E foi assim que a Banda Estrela dos Artistas começou em 1968: com o grande Maestro e Artistas Antisthenes Loureiro. A sua história permanecerá marcada entre nós, orquestrando lembranças dos momentos inesquecíveis que proporcionou a cada músico da Banda e também a toda sociedade serrana.

GALBO BENEDICTO NASCIMENTO

Galbo Benedicto Nascimento nasceu na Serra, em 1º de Julho de 1945, filho de Barnabé do Nascimento Neves e Júlia Castello Nascimento. Por onde passa, ele leva dentro da memória e do coração duas histórias que se completam: a sua e a da Banda Estrela dos Artistas.

Se dedicou à Banda Estrela dos Artistas por mais de 40 anos. Não era um artista comum, mas um músico completo. A ele cabe o mérito permanente das primeiras músicas tocadas pela Banda. Sem sombra de dúvida, o maestro Galbo Benedicto é o orgulho da cidade da Serra. Talentoso e aguerrido, foi maestro da banda e é um dos responsáveis pelo sucesso da “Estrela dos Artistas” até os dias atuais.

Com perseverança e paixão, ele lutou para honrar os ensinamentos do maestro Antísthenes. Os seguidores e admiradores da Banda de Música Estrela dos Artistas são profundamente gratos pela contribuição que Galbo deu para o engrandecimento e valorização da banda da Serra.

Cidadão, historiador, membro da Academia de Letras e Artes da Serra, advogado, funcionário público aposentado, poeta, mestre de música, músico e colaborador da Banda “Estrela dos Artistas”.

Quando ressurgia a banda estrela dos artistas sob a maestria de Antísthenes Loureiro, em julho de 1967, era Galbo Benedicto quem estava lá para ajudá-lo.

Com o amor pela cidade que habita no coração de cada cidadão serrano, Galbo foi à luta pela Banda de música e jamais deixou essa história morrer. Talvez seja por isso que as memórias permanecem tão vivas na mente desse homem.

Não são apenas lembranças de uma Banda. São lembranças da Serra, um município de belezas, encantos e prazeres. São lembranças de Galbo Benedicto, um homem determinado, de sonhos e, principalmente, de realizações.

ENILDO BENEDITO MIRANDA

Enildo Benedito Miranda nasceu na Serra, no dia 08 de janeiro de 1945, filho de José Carlos Miranda e Inácia Montarroyos Miranda. Entrou na academia militar em janeiro de 1965, quando despertou no exército o interesse pela carreira musical.

Miranda, como era chamado, iniciou seu aprendizado musical no 38º Batalhão de Infantaria de Vila Velha.

Incentivado por Antísthenes, maestro da banda do 38º BI, viajou o Brasil inteiro, em missão musical representando a Serra. Através do Exército Brasileiro se apresentou em Cárceres no Mato Grosso, Macapá no Amapá, no Teatro da Paz em Belém do Pará, na cidade de Bela Vista em Mato Grosso do Sul, teatro Amazonas em Manaus, em Caiena, Capital da Guiana Francesa, Bolívia e Paraguai.

Maestro Enildo, estudioso da música, se aposentou e foi convidado para reger a Banda Estrela dos Artista. Imediatamente, relembrou seus ensinamentos enquanto maestro no exército naquela época e trouxe a renovação para a Banda Estrela dos Artistas.

Ao longo dos dez anos que ficou voluntariamente na regência da SMEA, se dedicou a passar conhecimentos musicais para os alunos, como a leitura de partituras e formação de novos instrumentistas.

Enildo foi um competente regente, sempre pronto a ajudar e a resolver problemas musicais da banda. Conquistou a estima e admiração de todos que o conheceram. A sua habilidade não se manifestava apenas na música, mas na facilidade de relacionamento com cada um que contribuiu na formação de uma banda profissionalizada.

“Deixo uma mensagem para a Banda Estrela dos Artistas: eu agradeço a todos os componentes, desde o início de 1860 até os dias atuais, por terem participado honrosamente nesta banda. Eu desejo que a atual formação da banda venha a ser cada dia mais excelente. Nem regular, nem boa, mas excelente.”